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| Fonte: jw.org |
Amanhã, 02 de abril, milhões de pessoas ao redor do mundo realizarão o gesto solene de passar adiante o pão e o vinho. No entanto, diante das palavras de Jesus em Mateus 26:27-28, este ritual carrega uma gravidade que transcende a tradição: se o cálice representa o "sangue do pacto para a remissão de pecados", o ato de passá-lo adiante sem participar torna-se uma declaração pública de que aquele pacto — e, por extensão, aquele meio específico de perdão — está sendo declinado.
A Natureza do Comando: "Fazei Isto"
Ao instituir a ceia, Jesus não utilizou um verbo de contemplação, mas de ação. As palavras registradas em Lucas 22:19, "Persisti em fazer isso em memória de mim", referem-se diretamente ao ato que ele acabara de realizar: partir o pão e distribuí-lo para consumo. Quando a celebração se torna um evento onde o "fazer" é substituído pelo "observar", a estrutura do memorial é alterada. Se a proclamação da morte do Senhor, conforme Paulo descreve em 1 Coríntios 11:26, ocorre "ao comerdes este pão e beberdes este copo", a ausência da participação física descaracteriza, tecnicamente, o ato de proclamar.
O Novo Pacto e a Remissão de Pecados
Um dos pontos mais críticos reside na finalidade do sangue de Jesus. Segundo a própria Tradução do Novo Mundo em Mateus 26:28, o vinho representa o "sangue do pacto, que há de ser derramado em benefício de muitos, para o perdão de pecados".
Aqui surge um dilema lógico: as Testemunhas de Jeová reconhecem que todos os cristãos, independentemente de sua esperança (celestial ou terrestre), são pecadores e dependem do resgate para a vida eterna. Se o pacto foi estabelecido para providenciar a remissão de pecados, e os emblemas são os símbolos desse pacto, recusar os emblemas pode ser interpretado simbolicamente como uma recusa do próprio arranjo legal que garante o perdão. Não se pode usufruir dos benefícios de um contrato enquanto se rejeita a assinatura dos seus termos.
A Distorção entre Governo e Salvação
A Reflexão Necessária
Às Testemunhas de Jeová, cabe uma reflexão honesta: se a presença silenciosa substituísse a ação direta, Jesus teria passado o pão apenas para que seus apóstolos o admirassem. Contudo, ele foi enfático: "Bebei dele, TODOS vós" (Mateus 26:27).
A humildade é uma virtude cristã, mas a obediência a um mandato direto de Cristo é a maior prova de fé. Participar dos emblemas não deve ser visto como um ato de presunção, mas como um reconhecimento público de que se é pecador e de que se aceita, sem reservas, o único meio de salvação providenciado por Deus.
A celebração da morte de Cristo é o momento de união com o sacrifício redentor. Quando o símbolo do perdão passa pelas mãos de um fiel e ele o entrega ao próximo sem participar, ele está, ainda que de forma reverente, mantendo-se à margem do pacto que sustenta sua própria esperança de vida. "Fazer em memória" de Jesus exige, por definição, seguir o exemplo que ele deixou à mesa.
José Gomes

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